Menu fechado

Revista CP Filosofia – Das Trevas para a Luz

O Iluminismo – Das trevas para a luz 

Inicialmente as ideias do iluminismo foram disseminadas por filósofos e economistas, que se diziam propagadores da luz e do conhecimento. Julgavam que a via para se adquirir o conhecimento era através da razão, para isso, o estimula ao questionamento sobre a origem ou ordem das coisas se fazia presente em suas discussões, utilizavam da pesquisa e da investigação para entender na natureza, a sociedade, economia, política e o próprio ser humano. Considerado como uma doutrina filosófica, o iluminismo marcou a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Teve seu inicio na Inglaterra, no século XVII e seu auge na França, no século XVIII. A doutrina teve como “pai” o filósofo John Locke e Renée Descartes (pai do racionalismo), que possibilitou que viesse acontecer esse movimento.

Iluminismo sintetiza diversas tradições filosóficas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Considerado uma atitude geral de pensamento e de ação, os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição e possuem o poder de tornar este mundo melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.

O Iluminismo buscou o esclarecimento do ser humano, a busca da liberdade pelo conhecimento, a busca pela certeza.que trouxe a luz para o mundo e as trevas, que os pensadores iluministas referiam-se, era em analogia a cultura e a intelectualidade. Significa sair da Idade das Trevas ou Idade Média onde houve um retrocesso cultural, uma limitação e marginalização do conhecimento intelectual, onde qualquer forma de manifestação cultural humana que não estivesse associada aos dogmas cristãos era censurada pela Igreja, temos como exemplo o julgamento de Galileu que só não morreu porque assumiu que seus estudos estavam errados, isso é claro para se salvar dos carrascos da Igreja! Até mesmo o sorriso era mal visto pelo clero da época, o sorriso era coisa tida do demônio. Então nesse caos que foi a Idade Média nesse aspecto, para os pensadores iluministas foi uma idade das trevas para o conhecimento humano que ficou limitado.

Esse movimento intelectual defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Defendiam a liberdade da escolha e a igualdade perante a lei, até mesmo religiosa. Opunham-se as ideias e ideais do absolutismo e todas as suas características que privilegiava a nobreza e o clero, além de críticos fervorosos do mercantilismo, da Igreja Católica e de seus métodos, respeitando, porém a crença em Deus. O movimento causado pelo iluminismo promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

Os princípios iluministas eram o racionalismo (duvidando-se de tudo é que se chega à verdade absoluta), individualismo (cada um deve ser responsável pela sua evolução) e a liberdade religiosa (eram contra a religião, mas não contra Deus – conseqüência da Reforma Protestante). Esses princípios refletem hoje em nossa sociedade, onde as pessoas não têm mais tanto afinco com as religiões.
Sob o rótulo de iluministas estão reunidos diversos pensadores com posicionamento político e concepções filosóficas bastante heterogêneas. De modo geral, o que tinham em comum era um grande apreço pela racionalidade e, por outro lado, forte rejeição às explicações tradicionais, especialmente aquelas de cunho religioso – com uma pequena exceção ao iluminismo alemão, em que não havia uma tendência anticlero evidente. Em síntese, acreditavam que a partir da razão seria possível uma sociedade mais justa, equilibrada e feliz. Os filósofos iluministas estão vinculados principalmente ao século 18, considerado o “Século das Luzes”. Entretanto, essa demarcação é posterior à existência desses autores.
A fraternidade humana, os direitos de igualdade, o respeito pela diversidade étnica, religiosa e os valores humanos da atualidade são frutos da separação ocorrida em decorrência desse movimento, mas creio que o poder que ainda persiste na atualidade não preserva como deveria os direitos humanos.
A incapacidade de sair das constantes repetições de padrões, ciclos que não permitem uma evolução, a falta de uma ética aplicada no cotidiano e a moral para que aja respeito, demonstra que possuímos algum tipo de obstáculo que impede a nossa evolução, embora tenhamos o conhecimento de ética, moral e respeito, pouco se percebe implantado com a intensidade que deveria. Hoje em dia, embora tenhamos muita informação, enfrentamos as limitações da consciência humana e seu ego destrutivo e suicida.
Possuímos hoje a liberdade que tanto sonhávamos, o neoliberalismo e a intensa e massiva informação. Dotados de maior liberdade de escolhas, o próprio ser humano se aprisiona, antes vitima de um poder e agora vitima de todos os poderes inclusive o seu próprio. Solitário não consegue integrar a sociedade humana como uma todo, cria divisões, grupos, mantendo o separatismo que existia antes do próprio iluminismo. O ser humano hoje, e depois do iluminismo, percebe claramente que ele sempre foi o seu pior inimigo, e embora livre, não sabe lidar com a sua própria liberdade, falta à consciência amorosa e o respeito a todos os níveis deste por si próprio até para com os outros, para que assim possamos transitar e atingir o que os iluministas tentaram que foi o sair das trevas e ir para a luz. Poucas foram as pessoas que tiveram suas mentes abertas pelo movimento, principalmente porque as autoridades proibiam livros sobre o assunto, perseguiam os iluministas. Enfim, se observarmos bem, ainda hoje o mundo não abriu os olhos para a luz, continua cego. É claro, com algumas exceções.
Do iluminismo, pode-se dizer que é a saída do ser humano do estado de não emancipação em que ele próprio de colocou. Essa não emancipação é a incapacidade de fazer uso da razão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *