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A vida é feita de inícios

Conceituei, certa vez em uma palestra que estava ministrando aqui em São Paulo, essa ideia de que começamos tudo e não terminamos nada. Essa visão revela um sentido oposto ao que normalmente queremos que é o de arrumar, finalizar e consertar, restando pouco tempo para se dedicar ao começar de novo. Queremos que tudo seja eterno, geramos comodismo, criamos zonas de conforto, que são desenvolvidos por querermos sempre manter algo eternamente, como um amor, trabalho e relação infinitas, mas na prática da vida, nada disso acontece, por isso a frustração aparece toda vez que se finaliza um trabalho, relação, casamento ou qualquer coisa que tenhamos projetado que achávamos que iria ser para sempre.

Se as coisas fossem desta forma, a vida não teria surpresas, deixaríamos de aprender e criaríamos uma estagnação, consequentemente é muito bom quando uma experiência nova vem romper com velhos hábitos que aprisionam e tornam a pessoa alienada, entretanto tendenciados a rotina, e viciados na repetição de comportamentos e atitudes, para ser mais fácil de gerir e administrar a vida, porém não somos só isso, temos vontades, desejos, interesses e afinidades que nos movimentam constantemente. Essas motivações nos proporcionam inovações constantes para que não fiquemos entediados e desanimados com a própria vida. Precisamos, sim, de novidades para aprender e fazer a vida ser mais feliz, diversa e interessante. Quanto mais envoltos por novidades estivermos tanto mais satisfações teremos, se não começamos a reclamar, ficamos ranzinzas e envelhecidos, que de fato só nos tornam em pessoas chatas para conviver.

Ao pensar que iniciamos tudo e não finalizamos nada, gera nesse conceito um nó na cabeça acostumada com o terminar, ficamos ligeiramente perdidos porque o que queremos e temos a tendência e de concluir para ficar livre.

Desde criança tínhamos tarefas para cumprir e só depois de finalizá-las é que podíamos brincar. Crescemos achando que essa era a forma certa de viver, então o trabalho as tarefas e obrigações se tornavam relevantemente principais frente a todo e qualquer prazer, que só seria possível depois da conclusão do que precisávamos fazer.

Se pensarmos que não finalizamos nada, mas começamos tudo, a gente fica sempre motivado pela surpresa do novo que a de vir até nós. Infelizmente os inseguros e os que duvidam de sua confiança temem por esse novo, a dúvida acaba por aparecer e a instabilidade toma a frente do novo acontecimento. Por essa razão é que muitas pessoas temem o novo, porque nele não temos o conhecimento necessário para se relaxar e permitir fluir por meio dele. Portanto, estar confiante e seguro frente a um começo demonstram muita liderança pessoal e crença na força interior.

Se pensarmos que a vida é feita de começos então iremos perceber que tudo que se finalizou, relacionamento, casamento, trabalho, etc. foi apenas o fim de um ciclo, que abre para um novo, onde o que acabamos de finalizar servirá de base para o novo começo, ou seja quando confiamos e permitimos que tudo flua, estamos confiantes, as coisas na vida se abrem a nossa frente e os horizontes se expandem. Temos a hipótese de, com otimismo, perceber as novas experiências como uma continuidade de uma anterior, que serviu para alinharmos, melhorarmos e atuamos de forma diferente, ou não dependendo do foco de cada um. Mas para mim, quando estamos prontos para começar, ao se termina algo, temos a hipótese de aprimorar em uma próxima experiência o que aprendemos que não foi legal na anterior.

Quando, de fato, queremos aperfeiçoar com a vida sempre teremos a sensação de expansão na próxima experiência. Assim, quanto mais rápido você abandonar o velho e estar preparado para o novo, tanto maiores serão os crescimentos, mas para que isso venha a acontecer à flexibilidade e libertação de teimosias, que geram padrões pesados, travam a vida, são muito importantes.

Frente a um novo e prazeroso desafio da descoberta e da possibilidade de se inovar com a novidade da próxima experiência, poderemos, felizmente, graças à vida, que permite para os menos afobados, e com medo de ficar só, um intervalo para que entre uma situação que finalizamos possamos perceber o que melhorar para a próxima, lembrando que o que terminamos é a base desse novo começo, por isso nada terminamos tudo começamos, só assim o sentido da vida deixa de ser uma tarefa e passa a ser uma alegria.

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